20.11.09

Explicação

Tendo em conta o anúncio de encerramento do blog creio ser de bom tom explicar o que me levou a tomar tal decisão, sobretudo por uma questão de respeito e consideração pelas pessoas que lêem este blog e que, de uma maneira mais ou menos óbvia, sinto terem alguma estima por mim.
Pois bem, quando uma pessoa decide plantar as suas opiniões num lugar como este o que pretende é ser lido e, eventualmente compreendido ou pelo menos discutido. Creio que este objectivo foi conseguido, não sem alegria e regozijo meus. Porém, atingindo um certo grau de produtividade, torna-se imperativo impor uma dinâmica ao blog, para que as pessoas não venham em vão. Isto significa que o autor sente-se obrigado a postar com regularidade e com qualidade. Para mim não pode ser de outro modo. O que aconteceu foi precisamente isto: perdi o tempo para conseguir postar aqui com a regularidade desejável, o que quer dizer que, por arrasto, perdi também o tempo para reflectir questões com potencialidade para serem publicadas. Em suma: se já não tenho tempo para ler, se já não tenho tempo para ver filmes, se já não tenho tempo para ir ao teatro, se já não tenho tempo para me divertir, se já não tenho tempo para escrever fora daqui, não quero ter tempo para o blog. Ao pé do que contabilizei, não é uma prioridade. Mas é um vício, e portanto sei também que apesar de tudo voltarei mais cedo do que penso, com outra cara. Até lá, eu vou andar por aí. Não vos podia deixar, é claro, sem um grande muito obrigado.

17.11.09


12.11.09

Dúvidas existênciais II

A existência do Universo tem tanto sentido como a existência deste blog ou da minha vida. Qual? (Savater diria que estas coisas não tem sentido mas são um sentido em si mesmas. A resposta é boa e serve-me quase sempre, mas não por estes dias.)

Nota de rodapé 37

Para quem sabe o que isso é, tenho andado a resolver os problemas da Componente de Apoio à Família (CAF) e Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) existentes na Junta de Freguesia de São João, pelo que durante uns dias isto pode andar um pouco parado. Dito de outra maneira: arrisco a tornar-me num tipo útil à sociedade, o que é dramático porque isso quer dizer, quase sempre, que se começa a trabalhar. Infelizmente isso não se coaduna com aquilo que eu gostaria de fazer e que era... nada, ler, ver filmes, comer bem e viver melhor.

8.11.09

Da sétima arte XXV

Jean-Pierre Leaud

Alvorada dos apócrifos IX

Novo post: o preço da centralidade. (Ou como Lisboa corre o risco de despovoar-se se o Instituto Piaget continuar a achar Viseu mais importante que o Pragal.)

7.11.09

Mon amour, viens m'embrasser

Jacques-Louis David
Camille Desmoulins, sa femme Lucile, et leur fils Horace (1792)

'En effet Maximilien et Camille se retrouvent chez les Duplessis. Lucile Duplessis est la fiancée de Desmoulins, elle lui apportera 100 000 livres de dot.'
in L'homme Robespierre, histoire d'une solitude, Max Gallo

Há aqui pelo menos dois dados engraçados. Primeiro: Robespierre e Desmoulins, que até aqui se admiravam mutuamente (início de 1790), que se encontravam frequentes vezes para discutir o seu e o futuro da França, veriam a sua amizade e relação destruídas com o corte de cabeça de Desmoulins, ordenado por Robespierre, quando o primeiro usa o seu jornal Le vieux Cordelier (nome do clube a que pertencia juntamente com Danton que seria guilhotinado na mesma altura) para denegrir o Terror. Chama-se a isto qualquer coisa como 'dinâmicas da revolução', embora em português vernáculo as pessoas prefiram a expressão 'filha da putice'. O segundo ponto está no facto de Lucile Duplessis ter levado para o casamento, como dote, cerca de cem mil livros! Acho que vou colocar um anúncio em todos os jornais: 'jovem procura rapariga com cem mil livros para relacionamento' (relacionamento com os livros, naturalmente).

6.11.09

Nota de rodapé 36

Estou a ver que há posts meus que não podem ser para levar muito a sério...

4.11.09

'Summa laica'

Atentemos nesta notícia do Público: o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem pronunciou-se contra a existência de crucifixos nas escolas e em instituições públicas dos estados-membros. Fico contente, creio que não poderia ser de outro modo. Não é porém tanto isso que me leva a comentar a notícia, nem sequer são as afirmações do Vaticano ou do Governo italiano, antes as declarações da Associação Ateísta Portuguesa quando afirma que "a exibição de crucifixos nas salas de aula viola a liberdade religiosa dos alunos". Ora, eu não quero ser mais papista que o Papa, mas estou em crer que os alunos, principalmente até aos 16 anos, não tem direito à liberdade religiosa, isto é, do ponto de vista intelectual não é algo que, para a grande maioria dos jovens, se escolha livre e conscientemente ou, de todo, se escolha. Toda a fé e crença são inocentes e como tal infantis mas não é por isso que se deverá deixar que alguém menor de idade (e vou considerar que os 16 anos já sao suficientes para a maioridade) deverá ser abandonado à possibilidade de fé imposta. Do ponto de vista intelectual a religião e a fé são coisas violentas e como tal, sem querendo ser ultra-jacobino ou paternalista, deveremos assegurar que a nossa juventude não é suja antes de poder decidir por si o que quer e como quer. Eu também não sou ingénuo ao ponto de achar que a doutrinação religiosa deixaria de ser feita só por retirarmos os cruxificos das instituições públicas ou por proibirmos a entrada em estabelecimentos religioso dos menores de idade sempre que os seus propósitos não fossem propedêuticos, até porque em casa fazem-se coisas que não são para saber que se fazem. A questão é que sim, o Estado tem de ser laico, ainda que essa seja uma maneira de promover o laicismo na sociedade. Agora, eu até tenho uma concepção absoluta dos direitos fundamentais, não acho é que a liberdade religiosa seja um desses direitos, principalmente por um motivo: porque se trata de uma liberdade dos pais sobre os filhos e não dos próprios filhos, isto é, na altura mais importante na formação de uma pessoa, é uma liberdade e um direito que os progenitores exercem por terceiros. Chama-se curadoria, representação ou procuradoria?

3.11.09

Triste tópico


Morreu Claude Lévi-Strauss, hoje, aos 100 anos de idade.

«Il ne s'agit pas de la pensée des sauvages mais plutôt de la pensée sauvage. C'est une forme qui est l'apanage de toute l'humanité et que nous pouvons retrouver en nous mais nous préférons d'ordinaire aller la chercher dans les sociétés exotiques» in La pensée sauvage.

1.11.09

Sala Europa I

Museu arqueológico de Atenas

Dúvidas existênciais I

Como é que deixam o Jean-Luc Godard continuar vivo?

Em noites como esta

Em noites como esta eu amei-te. E em noites como esta eu tive-te e beijei teus lábios e acarinhei tua fronte. Em noites como esta olhei os teus olhos e vi neles o brilho dos meus. Em noites como esta amei-te e ainda te amo ainda. Em noites como esta desejei ter-te e chorei a tua ausência, nada custa mais que só poder lembrar-te. Em noites como esta sonhei a tua figura e passeei-me de mão dada contigo, por lugares onde nos beijavamos sem vergonha e sem medo. Em noites como esta dormi com o meu braço por cima do teu corpo, mas nunca te agarrei com tanta força que te tivesse obrigado a ficar, ainda que de bom grado trocasse tudo por ti. Em noites como esta chorarei o que posso ainda não ter perdido. Esta noite choro a tua ausência porque nada mais há na calada e fria noite.

31.10.09

Seixal Jazz 2009


Já começou a edição deste ano do Festival Internacional de Jazz do Seixal. Como sempre, um excelente cartaz, com destaque natural para Joe Lovano, um dos grandes saxofonistas vivos. Na edição do ano passado vi dois concertos excelentes: a Guy Barker Jazz Orchestra, da qual já fez parte como pianista Bernardo Sassetti e a banda do baixista Dave Holland acompanho pelo admirável Chris Potter ao saxofone. No espaço do Seixal Jazz Club há concertos grátis mas no geral não são grande coisa. Hoje fui ouvir os finlandeses Motif, mas enfim, nem fiquei para o fim, é que as memórias do concerto do Herbi Hancock do ano passado ainda estão demasiado presentes. Aliás, sobre este post ver este texto sobre a edição do ano passado e este sobre a desilusão que foi Hancock no Palácio do Marquês de Oeiras no Cool Jazz Fest.

29.10.09

Ontem com hoje?

"No carro, julgou que seria obrigada a ficar de pé, porque nenhum dos rapazes parecia tê-la notado; afinal, um velhote arranjou-lhe lugar. Era um senhor forte que usava chapéu castanho; tinha o rosto quadrado e vermelho e um bigode embranquecido pelos anos. Maria pensou que devia ser um coronel e reflectiu sobre a delicadez do homem, que contrastava com o desdém dos rapazes que olhavam fixamente em frente."

James Joyce in Dubliners (1914)

Não sei se é por serem irlandeses mas ao que parece estas coisa tem muita história. Tendo em conta este facto eu noto duas coisas: primeiro que os velhotes deixaram de dar lugar às senhoras e segundo que os jovens passaram a fazê-lo, pelo menos de acordo com o que todos os dias vejo nos transportes públicos onde passo grande parte do meu tempo. Pela primeira vez em muito tempo fiquei contente por o meu tempo ser como é.

Alvorada dos apócrifos VIII

Novo post: Honni soit qui mal y pense.

28.10.09

A grande desilusão

consiste no facto de só o tempo nos enganar. O espaço, esse, evidencia que a metafísica far-nos-ia um bom serviço se pudesse tornar uma distância de trezentos quilómetros em algo de tão relativo como o tempo.

26.10.09

A grande ilusão

Como te enganas quando julgas ouvir os segundos passar. Não, não ouves os segundos passar. É sempre o mesmo segundo que passa. Ei-lo. Ei-lo que reaparece. Ei-lo que torna. Ei-lo que volve. Não há descontemporaneidade, é sempre o mesmo segundo que passa.

25.10.09

Ces gens-là

A minha preferida de Jacques Brel

23.10.09

Alvorada dos apócrifos VII

Mais um novo post no Alvorada dos apócrifos: O falso leitor! A não perder, leia já!, prometo que não se arrepende, caso contrário devolver-lhe-ei o tempo perdido em euros. Se achar que valeu a pena não deixe de mo fazer saber. Agora deixe-se de ler parvoíces e vá lá ler o post bom que é o que está lincado acima com o nome: O falso leitor. Obrigadinhos!

Os cadernos bem ilustrados

Estava passeando-me pela bloga nacional quando, visitando o Pedro Mexia reparei que a edição de Setembro da famosa revista Cahiers du Cinema foi esta:


Sobre o filme já tinha escrito, lateralmente, aqui. Catarina Wallenstein, como é bela! Como me apetece ir a correr comprar esta edição, a mim, que nunca me dou ao luxo destas coisas mas que se me desse ao luxo de qualquer coisa seria sempre destas coisas. Se a direcção dos Cadernos não tivesse mudado, alguma vez Oliveira seria capa? Não sei, mas foi, e diga-se que já fez muito bom filme para isso e para muito mais.

Elogio da paciência (e não só)

Porque é que eu gosto tanto do Pacheco Pereira? Um exemplo excepcional. Para mim, que abomino máquinas, que só à segunda passei num exame de informática, que não tenho nem televisão nem computador no meu quarto (quanto mais playstations e coisas que tal fora dele), que desligo o telefone sempre que posso e que me refugio (sim, refugio literalmente) nas centenas de livros que já consegui reunir em torno do meu leito, que venho à internet apenas para blogar, ver as notícias, o e-mail e de quando a quando conversar com algumas pessoas que não vejo amiúde (e que se recusam à correspondência escrita) ou com as quais preciso falar de forma económica, para mim, este texto é bem lúcido e claro, mas temo que já não possa ser compreendido por aqueles que sofrem do TDACHSR, uma vez que é um texto com bem mais de 140 caracteres.

22.10.09

Furet e Cochin contra 1789

Na sua obra 'Pensar a Revolução Francesa', François Furet dedica o terceiro capítulo da segunda parte à análise dos estudos de Augustin Cochin sobre a revolução. Atentemos ao seguinte trecho:

"Assim, na opinião de Cochin, a explosão revolucionária não nasce de contradições económicas ou sociais. Tem a sua origem numa dinâmica política: a manipulação do corpo social e a conquista do poder por grupos anónimos, depositários da nova soberania em nome da igualdade e do «povo». Depositários abusivos, não por se terem assenhorado pela força ou pela intriga, na sequência de uma acção concertada ou de uma conspiração, mas porque está na natureza da nova legitimidade- a democracia directa- produzir mecanicamente uma cascata de usurpações, cujo conjunto constitui o poder revolucionário: anónimo, instável, condenado pela sua natureza ideológica à exclusão periódica e à fuga para a frente."

François Furet, Pensar a Revolução Francesa, edições 70, p. 248

Todos nós sabemos que Furet não é um pensador de esquerda. (Mas porque haveriam os pensadores ou a cultura de ser uma coisa de esquerda como nos querem fazer vender nos últimos tempos?) O problema do estudo da Revolução Francesa é que foi durante muito tempo dominado pela teoria marxista, quando não jacobinas, da história. Até certa altura isso terá viciado a historiografia produzida, seguramente como fez com Albert Soboul, mas não exageremos. Ao contrário do que a tese de Furet nos faz querer acreditar, a Revolução foi bem mais que o amadurecimento intelectual das luzes, as mudanças exigidas por alguma nobreza esclarecida, os Estados Gerais de 1788 ou um século XVIII propício. Fica bem claro, neste trecho, por que é que Furet e Cochin não conseguem admitir que tem que ser bem mais que isso: é que para eles a revolução é uma usurpação. Não digo que não, mas para a teoria marxista que eu tendo a ver com bons olhos, é bem mais do que isso: é uma devolução!

Nota rodapé 35

Hoje, graças à Rita, estive com o livro Estudos de Economia Nacional do insigne Afonso Costa nas mãos. Tratava-se de uma primeira edição que tinha a particularidade de estar assinada pelo autor. Uma pessoa respira fundo e fica parva, ou fica parva antes de respirar fundo, não sei. Não é por nada, era um livro escrito pelo Afonso Costa e onde o Afonso Costa escreveu. Bolas, que prazer tê-lo tido nas mãos. Não percebo o porquê de tanta excitação, mas que fiquei excitado lá isso fiquei!

Adenda às 22.03: Como podem ver a Rita já se precaveu! Raios!

21.10.09

Why not me? (but without the helmet)

Norman Rockwell, Willie Gillis in College (1946)

Ó chefe, desligue lá o alarme!

Esta notícia aqui não me deixa surpreendido. O que me deixa surpreendido é que haja gente a ficar surpreendida. Mais do que isso, o que me surpreende é haver gente a pensar que poderia ser de outro modo. Quando fui aluno dos Pupilos do Exército os meus pais sabiam onde me estavam a meter e eu sabia onde estava a ser metido, é por isso que apesar de sempre me ter declarado incapaz de inscrever lá um filho meu, recordo os meus tempos de aluno do IMPE com a maior das saudades, independentemente da quantidade de estaladas, pontapés ou exercício gratuito que me tenham obrigado a fazer. E como diriam os franceses: et pour cause!

19.10.09

poema

É tarde.
A noite escura lança uma penumbra sobre a cidade,
e da janela do meu quarto só os candeeiros
se erguem como homens dignos.

Na rua,
vazia e abandonada,
o silêncio angustiante de uma civilização que
só nos intervalos lúcidos se sabe perdida.
Deixaremos de persistir.
Abandonamo-nos como cães.

Cada aurora é um sentimento de recaída.
O sol nasce, mas nada mais.
E caímos, e caímos, e caímos. E
encontramo-nos tão no fundo que flutuamos
por entre o ser e o nada,
por entre um tempo sem modo.

Jamais refloriremos.

José António Borges
19 de Outubro, 2009

17.10.09

Nota de rodapé 34

É uma sensação ambígua, esta de falar com alguém do último ano de Literatura e Cultura (seja lá o que isso for) e chegar à conclusão que sabemos (mesmo que interpretemos o conhecimento em todas as suas formas) muito mais do que a pessoa com quem falamos. Por um lado é natural que o nosso ego aumente um pouco, mas isso não é tão línear assim, já que quando a outra 'pessoa' diz que prefere uma página de Nora Roberts (!) a um soneto de Shakespeare demorando mesmo a responder a esta pergunta provocatória (e que eu julgava ter feito com intenções retóricas apenas) como se estivesse a querer pesar e medir os dois, fico com os joelhos a tremer enquanto espero que um meteorito atinja a terra e acabe o que eu houvera começado com aquela pergunta: o fim da civilização com a perda da minha inocência.

16.10.09

Da sétima arte XXIV

Um filme do Michaelangelo Antonioni com banda sonora do Herby Hancock, inspirado numa obra do Julio Cortázar e com uma desnuda Jane Birkin. O que falta? To blow up!

Alvorada dos apócrifos VI

Novo post: um empurrãozinho!

15.10.09

Ao patriarca,

o grande Borges!

Nota de rodapé 33

Tenho duas notas da máxima irrelevância:

1) Fui eleito pela lista do Partido Socialista para a Junta de Freguesia de São João, no Concelho de Lisboa. Conferir os resultados aqui. Devo dizer que ganhamos por quatro votos apenas mas que foi o suficiente para um tipo como eu, quarto lugar da lista, vir a ter uma série de responsabilidades nos próximos quatro anos. Ainda sobre as eleições a saber que me deixa muito contente poder noticiar-vos que pela primeira vez desde que há eleições livres em Portugal, o meu concelho de naturalidade, Terras de Bouro, mudou de mãos, sendo agora Socialista também.

2) Hoje, dia 15 de Outubro, realiza-se na minha faculdade (a de Direito da UNL) uma feira do livro usado, de direito e não só, organizada por mim dentro do âmbito do programa que apresentei para o departamento cultural da Associação de Estudante.

3) Eu disse no início que eram só duas notas.

12.10.09

poema

Aborreço-me.
Caio de tédio num chão seco de terra.
Desmaio debaixo de um sol quente.
Paro inerte num lugar quieto.
Hiberno no obituário de um jornal velho.
Deixo o café sempre fervente
na esplanada de uma praça sem vento.
Deito-me sob um sobreiro
mais calmo que a própria sombra:
sem incómodos, sem confortos.

Tombo inanimado num sono morto.
Já me cansa a cidade apressada e barulhenta.
Já me cansam as ruas sujas e povoadas.

Adormeço impávido,
lânguida e preguiçosamente,
sobre o dia, a tarde, a noite.
Será sempre em vão,
escusai-vos à aflição:
não haverá quem me levante.

José António Borges
6 de Outubro 2009

8.10.09

Nota de rodapé 32

Herta Muller, está bem. Já agora, porque é que continuo a dar importância a este prémio?

Alfredo, anda buscar o NobÉl!

A propósitdo do que Philip Roth diz aqui, remeto para este meu post de há um ano. Infelizmente para o Roth, parece que este ano vai mesmo ganhar um judeu mas é o Amos Oz, pelo menos é isso que diz o Eduardo Pitta, e ele há um ano atrás acertou. Ou já sabia?

7.10.09

Da sétima arte XXIII

Michael Pitt, Eva Green e Louis Garrel
em Os sonhadores de Bernardo Bertolucci

5.10.09

Perseverança na educação do povo

Pergunto aqui o que me levará a entrar, às 2h da manhã, em pleno Bairro Alto, numa discussão sobre o anti-semitismo na Europa ou a fundamentação da existência do Estado de Israel. Sei que já tenho idade para ter juízo e não gastar o meu latim (ou será hebraico?) neste tipo de discussões difíceis com pessoas fáceis, sobretudo quando a problemática exige um reconhecimento de fundo de todo um modo de pensar e de olhar para A EUROPA. Mas eu creio-me incansável na necessidade de educar esta família e de a domar ao império das razões. Cheio de mim não temo os argumentos dos outros, sobretudo quando sei que não há cimento entre os tijolos, embora este tipo de pessoas não viva em casas mas em grutas. Algures pelas 3h voam garrafas e o sangue jorra das cabeças e eis que se dá por finda uma discussão que mais não tinha sido que um monólogo de mim para mim.

4.10.09

Nota de rodapé 31

Agora já tenho um grande álibi para a minha fraca produtividade bloguistica, chama-se Marcel Proust e pôs-me em busca do tempo perdido.

1.10.09

Impressions

John Coltrane, Impressions, 1961

(e os meus parabéns ao Ega)

Nota de rodapé 30

Agora lembro-me que nunca recebi resposta desta carta. Pergunto-me porquê. Acho que vou reenviá-la.

28.9.09

Sr. Doutor:

- Considero Florbela Espanca e António Nobre a coisa mais intragável que existe na história da literatura portuguesa. Miguel Torga é um parolo, razão tinha Eugénio de Andrade, e sou incapaz de conseguir ler José Cardoso Pires. Diga-me, tenho algum problema?

27.9.09

Nota de rodapé 29

As pessoas vão tão bem vestidas votar como vão aos tribunais ou à missa, é uma vergonha. O modo como nos enderaçamos aos lugares indica o respeito com que os tratamos, mas como tenho andado a dizer, vivemos num tempo sem modo.

26.9.09

Le Paumé Du Petit Matin

Como anda tudo maluquinho com a bússola eleitoral, lá me decidi a ir ver se um programa da internet detectava alguma incongruência entre aquilo que digo ser e aquilo que ele julga que eu sou. Depois de tudo muito bem respondidinho fui colocado na zona dos libertários-cosmopolitas de esquerda, sendo que dentro da minha esfera de influência só se encontra mesmo o Partido Socialista. Não que isto me dê animo para o que quer se seja, mas deve ser a primeira vez em muito meses que me sinto algo coerente, embora reconheça que, com este partido socialista esta coerência possa ser relativa. Ainda assim o resto está tão longe que quase me sinto na obrigação...

25.9.09

Alto e pára a faculdade!

Há uns tempos ofereci o livro Madame Bovary de Gustave Flaubert a uma amiga. Passado uns tempos perguntei-lhe se já o tinha lido. Ela respondeu-me que tinha começado mas que tinha parado por causa da faculdade. Qual foi a parte do Madame Bovary que ela não terá percebido? Livros como estes servem, entre outras coisas, para nos fazer perceber que é a faculdade que tem de parar e fazer sentido face à literatura e não o contrário. Esta juventude...

Nota de rodapé 28

Domingo, voto no Partido Socialista.

22.9.09

Alvorada dos apócrifos V

Novo post: Carrilho não deixa a cultura arder bem na Europa.

20.9.09

Nota de rodapé 27

O mesmo amigo do post anterior perguntou-me se eu sabia o significado de licenciatura. Quando me viu a pensar uma resposta disse que eu ainda não tinha licença para pensar porque ainda estava no quarto ano.

17.9.09

Nota de rodapé 26

Um amigo contou-me um dia destes que havia um dito na Faculdade de Teologia onde tinha andado que dizia: 'quem não faz filhos faz folhas'. Oxalá fosse verdade!

12.9.09

Alvorada dos apócrifos IV

Republicação deste post no Alvorada dos Apócrifos, aqui.

11.9.09

Há coisas que não sejam complicadas?